Próxima festa é na Barra dos Coqueiros

Babalorixá Ronnie de Obaluaiê analisa situação das religiões de matrizes a convida para nova festa no dia 28 de Fevereiro

Paulo Oliveira

O babalorixá Ronnie de Obaluaiê destacou a importância espiritual de Iemanjá para as religiões de matriz africana, durante a festa do dia Dois de Fevereiro, na orlinha do Bairro Industrial, em Aracaju. Ele ressalta que a orixá é o alicerce do equilíbrio, do amor e da fertilidade.

Ronnie também citou a constante luta contra o preconceito religioso e a busca por maior visibilidade institucional feita pelos terreiros sergipanos. O pai de santo, no entanto, lamentou que até hoje não tenha sido erguida uma imagem de Iemanjá, no local da festa, na capital sergipana, conforme pleiteia a Associação Luz do Oriente, organizadora da festa em homenagem à Rainha das Águas. A última informação obtida é que o projeto foi engavetado na Câmara de Vereadores.

Pai Ronnie de Obaluaiê. Foto: Paulo Oliveira/Meus Sertões

Além de reforçar a necessidade de união entre os povos de terreiros, o líder religioso falou da importância da organização de rituais e festividades, convidando o público para celebrações que mesclam oferendas tradicionais e manifestações culturais. Veja a íntegra da entrevista abaixo:

O que o senhor acha da festa de Iemanjá em Aracaju?

Essa festa de Iemanjá, para nós de religiões de matriz africana, é muito importante porque Iemanjá é orixá querida por todos. Sem Iemanjá, não somos nada. Ela é a mãe do nosso ori (cabeça, a representação da divindade de cada pessoa), do equilíbrio, da fertilidade e do amor.

O senhor é desse terreiro que organiza a festa?

Não. Eu sou o babalorixá Ron de Obaluaiê e vim prestigiar a festa com meus irmãos. Meu terreiro fica em Atalaia Nova, na Barra dos Coqueiros.

A Mãe Rita de Yansã disse mais cedo que ela organiza essa festa há 19 anos, mas que ela gostaria de ter um apoio maior das autoridades e ver mais gente envolvida na celebração. O senhor acredita que ainda há muito preconceito com relação às religiões afro-brasileiras?

Ainda há muito preconceito. Tudo é muito difícil para nós de religiões de matriz africana. Devíamos, todos juntos, lutarmos pela bandeira do nosso axé. Tentamos unir todos os povos, mas infelizmente nem todos querem caminhar juntos.

Quantas vezes o senhor já participou do Dois de Fevereiro, em Aracaju?

Quase todos os anos eu venho marcar minha presença e renovar meus votos com Iemanjá. Inclusive hoje eu também fiz um ato no quebra-mar de Atalaia Nova. Assentei uma imagem dessa querida orixá, no encontro das águas do rico com o mar. O objetivo dessas ações é levantar nossa bandeira e ver se os órgãos de governos olham um pouco por nós.

No dia 28 de fevereiro, teremos um cortejo de Iemanjá, em Atalaia Nova. A concentração sairá da Praça Bom Jesus dos Navegantes em direção ao antigo porto hidroviário da Barra dos Coqueiros. Ali haverá o xirê (celebração) em homenagem à Iemanjá. Em seguida, teremos shows artísticos. Todos estão convidados.

O senhor tem reparado se tem aumentado ou diminuído o interesse pelas religiões de matriz africana?

Nós avançamos um pouco, mas ainda acho que pode aumentar muito. As autoridades tinham de olhar mais pelos povos de terreiro.

–*–*–

Legenda da foto principal:  Lavagem da rampa de barcos da Orlinha do Bairro Industrial. Foto: Paulo Oliveira/Meus Sertões

 

Jornalista, editor, professor e consultor, 63 anos. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.

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