A anta possuída

Não é de hoje que lugares recebem o nome de um acontecimento, aspecto geográfico ou pessoa que tiveram uma história marcante na região.

Assim aconteceu com o município norte riograndense de Nova Cruz, antiga Anta Esfolada, toponímia marcada pelo fato que o nosso assinante João Victor, formando da Ordem Carmelita, traz-nos hoje.

De causos de encantamentos e exorcismos que já trouxemos ao canal, de anta encantada nada sabíamos, mas fatos semelhantes parecem encontrar no imaginário popular campo fertilíssimo para crescer e ganhar enfeites, conferindo aos fatos, uma característica própria.

Comum o “fazer medo” presente nestas histórias, e como o demônio ganha lugar onde o desconhecido se instala, onde o conhecimento ou a imaginação não alcançam – sair de casa depois do sol posto passa a ser interdição, creio, principalmente para as crianças, e a crença religiosa de que a cruz é salvadora reforça os laços da população com o Catolicismo na figura do exorcista heroico que livrou o lugar de maldito animal.

Deixo a palavra a João Victor, religioso e interessado em histórias e estórias que em sua terra proliferam.

 

A história da anta esfolada deixou a equipe de Meus Sertões curiosa. Em nossa pesquisa, encontramos versões diferentes nos relatos sobre o animal possuído. Há até um filme sobre ela. Chama-se “A lenda da anta esfolada” e foi produzido pelo Instituto Técnico de Educação e Cultura (ITEC) e pelo Ponto de Cultura Cinema para Todos.

O primeiro nome de Nova Cruz, cidade do sertão potiguar a 98 quilômetros de Natal, foi Urtigal devido à grande quantidade de urtigas existentes no local. O aterrorizante mito fez os moradores mudarem a denominação para Anta Esfolada.

No filme, que pode ser visto abaixo, é relatado que um caçador capturou e esfolou a Anta, que conseguiu sobreviver e fugir. Para se livrar do couro, o esfolador enterrou a pele à beira do rio Curimataú, cuja água ficou salobra. A partir daí, uma tragédia ocorre e o bicho só é enviado de volta ao inferno, graças a um frei e uma cruz de ramos de inharé.

Isso levou a terceira mudança de nome, em 1852. Até hoje a cidade se chama Nova Cruz

O FILME

Nasceu e cresceu numa típica família brasileira. Potiguar, morando na Bahia há vinte anos, é médica de formação e pesquisadora da cultura popular. Nos últimos 10 anos abandonou a sua especialidade em cardiologia e ultrassonografia vascular para atuar como médica da família na Bahia e no Rio Grande do Norte, onde passou a recolher histórias e saberes. Nessa jornada publicou cinco livros.”. No final de 2015 passou temporada no Amazonas recolhendo saberes indígenas.

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