Sergipano criou o quitute de aratu, famosa em todo o estado, há cerca meio século
– Paulo Oliveira
Prestes a completar 91 anos, Pascázio Custódio da Costa é o patriarca da família criador da iguaria que se tornou sinônimo do povoado Terra Caída, em Indiaroba (Sergipe). Antes de se tornar o mestre das empadas, ele passou a vida dividido entre a fé e a festa. Ele entrou para o seminário, mas desistiu de ser padre por causa de duas paixões incontroláveis: o carnaval e o frevo.
Nas vésperas do período momesco, ele confeccionava ou adquiria até três fantasias diferentes para seguir os trios elétricos. Passado o Carnaval, já fora do seminário, decidiu se mudar para o Sudeste, mais precisamente para Santos, cidade do litoral paulista em busca de novos horizontes.
Nos 18 anos que passou lá, o futuro rei das empadas trabalhou em barres, restaurantes e grandes indústrias:
“O meu primeiro emprego foi na Mobi Oil, onde eu coava óleo. Depois fui para a fábrica do Açúcar União. Nessa época eu morava no Morro do São Bento com vários colegas portugueses e mexicanos. Foi nesse local que decidi fazer culinária”, conta, sentado na varanda da ampla casa, cercada de plantas e árvores, em Terra Caída.

A massa tradicional de empadas brasileiras é conhecida como “massa podre”. Ela usa como ingredientes farinha, ovos, sal e muita manteiga ou banha. O segredo para que ela fique quebradiça, crocante e derreta na boca é acrescentar pouca água à massa. Foi uma das primeiras receitas que o ex-seminarista sergipano aprendeu.
No início, os recheios principais eram camarão, frango e palmito [1]. No entanto, ao voltar para a terra natal, entre o final dos anos 1960 e início da década de 1970, Pascázio resolveu inovar. Ele começou a rechear as empadas com carne de aratu, pequeno caranguejo abundante, na época, no povoado, que dista 18 km de Indiaroba. O quitute criado há cerca de 50 anos, só começou a ganhar fama a partir de 2011, quando um amigo da família passou a fazer divulgação do produto na internet.
Seu Pascázio se casou com dona Maria Anita há 55 anos, pouco depois de retornar a Sergipe. Eles tiveram dois filhos e uma filha, que desde 2021dividem a administração do restaurante criado pelo pai. Curiosamente, o nome do restaurante leva um “s” (Pascásio) no letreiro por causa de um erro do profissional que confeccionou a placa. O nome real do fundador é escrito com “z”.

Atualmente, o empresário não atua mais na produção. Ele só vai ao estabelecimento, de vez em quando, aos fins de semana para rever antigos clientes. No entanto, Pascázio faz planos para instalar um elevador para levar a comida ao segundo andar do restaurante para facilitar a vida dos garçons.
“Subir e descer escadas para servir a comida cansa muito”.
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Nota de pé de página
[1] A de palmito deixou de ser produzida por causa do custo elevado do legume.
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Legenda da foto principal: Pascázio passou o restaurante para os filhos administrarem. Foto: Paulo Oliveira
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Jornalista, editor, professor e consultor, 63 anos. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.








